Benefícios sociais na Europa e no Mundo

A OCDE apresentou um estudo em Novembro de 2021 - Social Vouchers: Innovative Tools for Social Inclusion and Local Development  que aborda os benefícios das várias vertentes dos vales sociais nas diversas áreas da economia e sociedade.


As vantagens da utilização de Vales Sociais como ferramenta macroeconómica


Ao longo de 70 anos, os vales sociais foram introduzidos em 40 países, incluindo 19 países da UE, beneficiando mais de 80 milhões de pessoas


Segundo o estudo, existem três tipos de vales principais: os vales relacionados com trabalho (benefícios para colaboradores), os vales de apoio social (para apoio a populações carenciadas) e os vales para promoção do desenvolvimento local, utilizados para incentivo ao consumo direcionado e mudança de comportamentos (ex. eco-vouchers).

As principais vantagens apontadas no estudo da utilização de vales sociais são:


  • Permitir orientar o consumo, mantendo liberdade de escolha;
  • Capacitar o aumento do consumo imediato (ex: voucher para turismo e cultura) e garantir que as verbas são utilizadas para o fim a que foram atribuídas – e não para outros produtos/serviços;
  • Contribuir para formalizar a economia (ex. vouchers utilizados para promover o recurso a trabalhos domésticos na Bélgica e Reino Unido);
  • Promover a inclusão social e da igualdade.

A utilização potenciada dos vales sociais durante a Crise Covid-19

A crise da Covid19 permitiu mostrar como os vales sociais podem ter um papel valioso na inclusão de pessoas e na proteção de setores de atividade vulneráveis, e ainda ajudar à criação de emprego e à recuperação das economias locais

O estudo dá exemplos de como alguns países usaram os vales sociais como solução rápida e eficaz para apoiar as populações e as empresas durante a pandemia, quando a atividade económica foi fortemente afetada e o desemprego aumentou.

Em vários países, os trabalhadores continuaram a receber títulos de refeição mesmo durante os períodos de confinamento. No Brasil e na Roménia, foram atribuídos vouchers de alimentação aos desempregados e a pessoas com trabalhos informais. Na Bélgica, o Governo criou vouchers para serviços de alojamento, cultura, comércio de retalho e desporto – setores amplamente afetados pela perda de clientes. França fez o mesmo para a cultura. Ainda na Roménia, o programa de recuperação e resiliência (PRR 2021-2027) prevê um sistema de vouchers para serviços domésticos que pretende reduzir o trabalho informal e criar emprego.


As vantagens da digitalização


A digitalização (com o recurso a cartões electrónicos em vez de títulos em papel, por exemplo) tem ajudado os programas de vales sociais a crescerem, ao simplificar todo o processo e a reduzir os custos administrativos e operacionais nos países que a adotaram.

Além disso, a solução tecnológica reduz o risco de fraude (exemplo: uso dos títulos por pessoas que não têm direito a eles, ou que se apropriaram deles indevidamente).

Para as pequenas empresas, este é também um impulso forte à digitalização, com todas as vantagens que isso tem em termos de eficiência e competitividade futura.

Por último, os sistemas digitais permitem saber mais sobre os padrões de consumo dos beneficiários, e assim compreender melhor o funcionamento de todo o circuito e melhorá-lo.