Restaurantes em crise: portugueses comem menos fora de casa

Restaurantes em crise: portugueses comem menos fora de casa

A crise na restauração está de volta, e com muita intensidade. Com o aumento do custo de vida, muitos portugueses passaram a comer fora menos vezes, o que traz riscos para um setor fundamental da economia portuguesa.

Um estudo da NIelsenIQ  divulgado em fevereiro de 2024 mostra que 41% dos consumidores em Portugal passou a consumir menos refeições fora de casa. As principais causas, segundo os inquiridos, são o aumento dos preços e do custo de vida (apontados por 62%). Ainda segundo este estudo (“Hábitos de Consumo OOH (Out Of Home)”), o gasto médio por refeição é de 12,04 euros ao almoço e 17,21 ao jantar; e 59% dos que comem fora fazem-no em média uma vez por semana.

O aumento dos preços no início do ano – tanto de matérias-primas como de energia –, por outro lado, fez aumentar os custos dos restaurantes. Mais custos e menos receitas, devido à perda de clientes, são fatores que explicam a gravidade da crise. Segundo a AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, entre outubro e dezembro de 2023 fecharam em média cerca de 14 estabelecimentos por dia, um aumento de 162% face a 2022.

O setor do alojamento e restauração ocupava em 2023 cerca de 312 mil pessoas, segundo dados disponíveis no site do Banco de Portugal. A crise do setor tem um impacto enorme na vida das famílias que dependem desta atividade, na economia e na sociedade como um todo.

Uma clientela regular é decisiva para a sobrevivência dos restaurantes. A parceria com sistemas de título de refeição pode ajudar a combater a crise porque estes títulos, que só podem ser usados para gastos com alimentação, acabam por levar mais clientes aos restaurantes aderentes. Os consumidores são direcionados para os estabelecimentos que aceitam o pagamento em título – uma vantagem preciosa. A adesão à rede tem, assim, um efeito promocional e garante aos restaurantes que serão escolha regular e preferencial dos consumidores que recebem o subsídio de refeição em título. Esta fidelização de clientes pode salvar um negócio em período de crise, mas acaba por ter também benefícios de longo prazo, ultrapassados os tempos mais difíceis.

Em 2023, 1,3 milhões de portugueses usava cartão de refeição. Os montantes carregados nestes cartões estão disponíveis para o consumo em restaurantes. As redes de títulos de refeição acabam por contribuir, desta forma, para a saúde das empresas de restauração.