Como se compara o poder de compra português com o resto da Europa?

O preço do cabaz alimentar em Portugal continua a subir, atingindo o valor mais alto desde que a guerra na Ucrânia começou. E as estatísticas mostram que o poder de compra dos portugueses está abaixo da média europeia.
Fevereiro bateu recordes
A DECO Proteste continua a monitorizar a evolução, em Portugal, do preço de um cabaz de produtos essenciais. Os números de fevereiro, mostram que o custo deste cabaz alimentar continua a subir: no início de 2022, os 63 produtos do cabaz custavam 183,63 euros. Hoje, as mesmas compras chegam aos 253,19 euros. São quase mais 70 euros, uma diferença percentual de 37,88%.
E 2026 não trouxe boas notícias: o cabaz já subiu 11,36 desde os primeiros dias do ano, ou seja, 4,7%. Os produtos que mais encareceram são a curgete (71%), o peixe-espada preto (32%) e a dourada (22%).
E como nos comparamos com a Europa?
Se compararmos Portugal com outros países, vemos que o custo de vida no nosso país está abaixo da média europeia (17ª posição), mas o poder de compra está em 22º lugar.
Na prática, isto quer dizer que o rendimento mediano das famílias em Portugal permite comprar, por mês, 11 cabazes de produtos essenciais, enquanto por exemplo em Espanha permite comprar 15 cabazes, e na Alemanha 18, para dar apenas dois exemplos. Esta análise pode ser vista com mais detalhe no site 40 Anos – Portugal na Europa, da Pordata, que usa dados da Eurostat.
A isto acresce a subida dos custos com a energia e a habitação, que cria ainda mais pressão no orçamento familiar.
Todas as poupanças contam, a começar pelo cartão refeição
Por este motivo, o subsídio de alimentação é um dos benefícios extrassalariais mais valorizados pelos trabalhadores. É um fundo mensal reservado à alimentação, e garante assim alguma estabilidade face às alterações de preços.
Se o subsídio for pago em cartão, e não em dinheiro, a poupança é ainda maior: como há mais isenção fiscal, um trabalhador que por exemplo ganhe 1200 euros base, receberá mais 219,66 euros* por mês euros por mês.
* O valor do subsídio de refeição nesta simulação é de 10,46 euros, pagos 21 dias por mês.




