Sozinhos e em casa: como a subida de preços afetou a forma como os portugueses comem

Sozinhos e em casa: como a subida de preços afetou a forma como os portugueses comem

Sozinhos e em casa: como a subida de preços afetou a forma como os portugueses comem

Sozinhos e em casa: como a subida de preços afetou a forma como os portugueses comem

Um estudo publicado em setembro de 2025 veio lançar luz sobre as mudanças na forma como os portugueses tomam as suas refeições. Menos partilha e menos convívio com familiares e amigos são duas das principais conclusões.

O estudo, editado pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, é relativo ao ano de 2024 e tem por título Inquérito Sobre as Práticas Alimentares em Portugal, 2024. Abrange, portanto, um período em que os efeitos da subida geral de preços (habitação, energia, alimentação) já se faziam sentir há algum tempo.

A análise das respostas ao inquérito mostra que houve uma quebra de 28% nas refeições para as quais os portugueses convidam familiares e amigos. Em sentido inverso, houve uma queda semelhante nos convites recebidos para ir comer a casa de familiares e amigos. O mesmo estudo mostra que desceu ainda a ida a restaurantes, incluindo fast-foods e restaurantes de hipermercados, e também a comemoração de ocasiões especiais com uma refeição fora de casa (-21%).

A conclusão é que ao haver menos rendimento disponível para a alimentação, baixam também as ocasiões de convívio e partilha em redor da mesa, que são uma parte importante da cultura portuguesa e trazem benefícios à vida social e à saúde mental. Pior: o estudo mostra que esta redução do convívio à mesa afeta mais as famílias com rendimentos baixos e as pessoas mais velhas.

Neste contexto, o subsídio de refeição tem um papel importante a desempenhar. Ao garantir um valor estável reservado à alimentação, acaba por atenuar os efeitos negativos da subida dos preços dos alimentos e as consequências sociais que este estudo vem revelar. Além disso, como o valor é igual para todos os trabalhadores da mesma empresa, beneficia especialmente os trabalhadores com salários mais baixos, pois representa uma fatia maior no total do rendimento mensal.