Qual o impacto dos temporais no preço dos alimentos?

As tempestades de janeiro e fevereiro arrasaram sementeiras, destruíram estufas e explorações de gado. No entanto, o impacto nos preços dos alimentos ainda não é claro.
O que pode afetar os preços?
Quando há menos oferta e a mesma ou mais procura, os preços tendem a subir. Esta regra pode gerar receios de uma subida nos preços dos alimentos, agora que a produção sofreu uma forte quebra. No entanto, as análises não são unânimes, porque o preço final resulta de vários fatores além da produção.
Para os representantes da Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP), os estragos não vão levar à falta de alimentos nos mercados. Isto porque, não havendo produtos nacionais, os vendedores irão recorrer aos importados.
Outro fator que pode influenciar os preços é o custo dos transportes: com estradas cortadas, algumas empresas poderão gastar mais em combustível e em tempo de trabalho, o que pode também refletir-se nos preços.
Finalmente, há a possibilidade de os comerciantes, sobretudo as grandes superfícies, aproveitarem a incerteza para aumentarem os preços, mesmo sem que haja maior custo do lado dos produtores.
O preço dos alimentos já vinha a subir de forma quase constante desde o início da guerra na Ucrânia. Poucas semanas depois dos temporais, as consequências podem ainda não se sentir de forma direta.
Mas em alguns alimentos, sobretudo nos hortícolas, houve subidas em fevereiro. É o caso da curgete, das cenouras, da alface, da couve repolho e do alho francês. Os próximos meses dirão se esta tendência se mantém. O site do Sistema de Informação de Mercados Agrícolas (SIMA) permite acompanhar a evolução dos preços nos mercados de abastecimento (antes de chegarem às lojas e ao consumidor final).
Cartão refeição contribui para segurança alimentar
Este cenário de incerteza torna ainda mais difícil antecipar os gastos familiares. Daí que o subsídio de refeição seja tão importante para os trabalhadores, pois aumenta o rendimento disponível para a alimentação. O impacto é ainda maior se o subsídio for pago em cartão, dado que a isenção fiscal permite poupar mais.




